Dito Assim Parece à Toa






04/01/2007 12:30

2007






O primeiro texto de 2007 deve, antes de tudo, desejar feliz 2007.
Depois, só para estalar as juntas e começar de novo, vale comentar mais um capítulo de uma guinada histórica que está por vir: o mundo parece mesmo caminhar para o fim da democracia como a conhecemos. Basta ver os telejornais para ter certeza disso.
Pegando o Jornal da Globo de ontem e tomando temas aleatoriamente, vemos que o mais destacado foi a filmagem clandestina do enforcamento de Saddam Hussein. Pouco se fala de que este foi uma ato arbitrário e um aleijão jurídico, além da óbvia transgressão aos mais comezinhos direitos da pessoa humana, mesmo considerando que a vítima atentava de forma contumaz contra eles.Um dos princípios da Justiça como a conhecemos hoje é o de que ela substitui a vingança pelo cumprimento da Lei. Mas o grande destaque é para o fato de alguém ter filmado as barbaridades cometidas e ditas ali, aparentemente com um celular. Ora essa, alguém duvidava de que isso ocorreria? Alguém ainda acha que no mundo atual é possível guardar segredos? Ao fim, prenderam um policial de baixa patente e pronto.
A partir de agora, Saddam virará herói, mártir, e todas as barbaridades que cometeu estão, no imaginário popular, zeradas pela barbaridade cometida contra ele, que, aliás, soube zelar pela própria imagem em seus segundos finais - habilidade macabra, coisa de psicopata, mas sem dúvida, uma performance de mestre. Em todas as filmagens tremidas, a única figura digna é a dele.
Em seguida, a TV mostrou os protestos dos sunitas e deu mais um balanço do número de mortos na guerra cada vez mais fora de controle. Em contrapartida mostra Bush acenando a seus eleitores com a mesma cara de débil mental de sempre e cita declarações anônimas de autoridades americanas que vão na linha do "Pô, mas eles não vêem o que o cara fez em 25 anos, só vêem o que fizeram com ele em dez minutos?" "Puxa, olha só, não foi a gente que fez isso, foram os iraquianos, esses brutamontes, que mataram lá um deles, com os métodos deles". Esses caras não vêem que o império deles está chegando a fim. E o pior: por culpa deles. E, pior ainda, o que vem é ainda pior. O império americano, neste começo de século, conseguiu fazer aquela profecia, atribuída a Marx ou um de seus discípulos - "o mundo caminha para o socialismo ou para a barbárie" -, finalmente decidir para que lado vai - e, definitivamente, não é o do socialismo. Hoje, isso já pode ser visto na TV.
A Globo mostra também os suplentes de deputados, que vão assumir o lugar de colegas que foram para os governos recém-empossados, diplomados em pleno recesso - ou seja, sem nenhum trabalho a fazer, com o Congresso fechado. Estes caras vão ganhar não apenas o salário de deputado - o que até pode soar justo - como também as verbas extras, que não têm como ser usadas. O resultado é um só: o parlamento vai aos poucos cultivando sua própria imagem de instituição cara e dispensável.
Por fim, os atentados no Rio: há mostra maior de que este ano poderá até ser feliz, mas de novo não tem nada?
enviada por Jayme






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